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A HISTÓRIA DOS RELACIONAMENTOS

Estamos vivendo um tempo de tanta volatilidade, tanta flexibilidade, que é possível encontrar pessoas insatisfeitas, de maneira autêntica, em todas as classes da sociedade, porque os direitos foram violados, a injustiça prevaleceu, etc. Não bastasse o mal que se revela a cada dia, a igreja tem sido afetada em larga escala (diria até paralisada!) pela cultura, pelo medo, pelo sono de igrejas que não acordam até igrejas que promovem as "simpatias gospel".

Precisamos atentar para esta situação e voltar nossos olhos à Bíblia; precisamos, desesperadamente, olhar para o fundador da Igreja Evangélica Jesus Cristo, e aprender dele e de seus discípulos como devemos agir como igreja.

As pessoas sempre buscam descobrir a razão de suas vidas. Para os cristãos esta resposta é simples: existimos para glorificar a Deus! Embora esta frase traga desdobramentos enormes em nossas vidas, quero aprofundar o assunto refletindo acerca do por quê Deus cria o homem à sua imagem e semelhança. Evidentemente você tem a resposta: para que a glória de Deus seja vista no homem, através do RELACIONAMENTO entre seres humanos e Deus.

Uma das histórias mais contadas no meio cristão é a do Pecado Original, que trouxe as consequências de morte ao ser humano (Gn 2:17). Ao olhar este texto, vemos que Satanás não deseja a morte ao ser humano; ele deseja, isso sim, separar o homem da comunhão com Deus, e da comunhão entre si. A alegria, a harmonia, a cumplicidade, a disponibilidade que a comunhão proporciona entre Deus e homens, foi este o objeto de destruição do maligno.

A semelhança de homens com Deus gera uma comunidade, inicialmente, Deus - Adão - Eva. Quando o ser humano é enganado, e faz aquilo que Deus não deseja seja feito (Pecado), há um rompimento, isto é, o pecado separa o homem da comunhão com Deus (Is 59:2). Foi isto que aconteceu nos tempos primeiros: a primeira comunidade criada por Deus envolvendo o homem foi desfeita pela voluntariedade do ser humano em ceder ao pecado. Adiante, a primeira comunidade familiar (Adão - Eva - Filhos) é afetada do mesmo modo. Neste caso, a quebra do relacionamento entre irmãos desfez a comunidade familiar, e, desde então, todos os males com os quais convivemos hoje baseiam-se no fato de que o homem quebrou seu relacionamento com Deus e com seu próximo.

Todo o Antigo Testamento nos dá um forte indicativo de que Deus, em sua infinita bondade, desejou restaurar este relacionamento com o ser humano por diversas vezes, mas o próprio homem se afastava cada vez mais. Um exemplo é Êxodo 19:6 - "vós sereis reino se sacerdotes, nação santa ...". Este contexto refere-se ao chamado de Israel para ser mediador da reconciliação. No entanto, Israel falhou ao obstinar-se, e o autor de Hebreus nos lembra da falha deste sacerdócio quando nos diz "ora se o trabalho dos sacerdotes levitas tivesse sido perfeito, não haveria necessidade de aparecer outro sacerdote" (Hb 7:11 NTLH).

Isto me leva a crer que Deus deseja usar aquele povo da mediação da reconciliação; os profetas anunciaram o desejo de Deus em restaurar este ministério sacerdotal (Is 42:6; 49:8), mas os israelitas falharam. Depois, Jesus Cristo desenvolve o trabalho que Israel deixou de fazer, e Ele mesmo se torna o mediador (Jo 14:6; I Tm 2:5). Ele é o Messias, o Sumo Sacerdote, Ele completa a obra da reconciliação, da restauração dos relacionamentos (Cl 1:20). Em todo seu ministério na terra, Jesus enfatizou o relacionamento com o Pai, no diálogo com Deus "...sempre me ouves..." (Jo 11:42), na realização da vontade do Pai, "...minha comida é fazer a obra daquele que me enviou..." (Jo 4:34). Além disso, Ele enfatiza que os valores do Reino são relacionais, expressos no amor a Deus e ao próximo (Mt 22:34-40; Jo 13:34, 35; 14:23; I Jo 4:12). Para Pedro, Jesus determina o pré-requisito do sacerdócio, quando lança a base de seu ministério no amor de Pedro a Jesus (Jo 21:16). Esta influência relacional é multiplicado entre os primeiros cristãos: em Atos, a simpatia, o amor, a alegria é destacada; Paulo destaca a hospitalidade, o amor dos irmãos, as reuniões abençoadas da igreja nas casas. O resultado era o acréscimo de milhares de pessoas ao reino de Deus. Israel falhou, então o próprio Deus providenciou a nova aliança (Jr 31:31; I Co 11:25), e eu e você, que aceitamos este sacerdócio, esta reconciliação, que tivemos o relacionamento com Deus restaurado, fomos agora incluídos na vontade de Deus, que continua firme, como no começo dos tempos, quando o pecado adentrou a vidas humanas.

O desejo de Deus é que todas as pessoas se convertam e sejam salvas. Quando Pedro descobriu o valor do ministério por amor e em amor, inspirado pelo Espírito, repete as palavras de Deus em Êxodo 19:6, porém contextualizada para mim e para você, quando em I Pedro 2:9 diz: Vós porém sois raça eleita, sacerdócio real,
nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz. Assim, fomos incluídos entre os sacerdotes escolhidos por Deus, de modo que cada crente é um sacerdote, um ministro, e é essa a igreja que encontramos em Atos. Hoje, infelizmente, estamos influenciados pelas idéias de Constantino no século IV, que instituiu ritos especiais, roupas especiais, pessoas especiais desempenhando a função sacerdotal.

Este não é, nem de longe, o relato bíblico, que o Espírito Santo nos fala através da história bíblica e das Escrituras Sagradas. Já passou da hora de despertarmos como igreja e aprendermos que Deus chamou e capacitou todos a serem "pastores" para as muitas almas que Ele deseja alcançar!

Isso não é um chamado restrito aos ministérios ou departamentos de evangelismo ou de missões, mas cada crente remido e lavado pelo sangue do Sumo Sacerdote tem esse chamado. Jesus enfrentou o judaísmo centrado em país, cidade, pessoa, dia especial e mostrou como deve ser e viver o seu reino de sacerdotes na terra, quando, por exemplo, ensinou a mulher samaritana que a adoração deve ser feita aqui, agora, onde está o servo de Deus, onde está o povo de Deus. Seja no trabalho, seja na sua casa, ou entre os vizinhos, você é ministro: sua casa é o lugar da colheita, e o templo será o lugar de celebrar esta colheita. Não sejamos como Israel, que se obstinou e falhou no sacerdócio! Deus nos honra com este chamado.

Portanto, não privilegiemos apenas alguns para este ministério, não profissionalizemos este ministério. Que a minha vida e sua vida flua num estilo de vida sacerdotal. Nós podemos e devemos levar as pessoas até Jesus, para que Ele as encaminhe até o pai! Você é um Ministro!

George Heinrichs

 

 




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